domingo, 28 de fevereiro de 2010

Teorias de um bom boêmio (Para Rafael Barba)

Quem será ele
Que diz vivermos uma democratura
Que tem teoria pra tudo
Até pra dentadura

Sua poesia de bar se exalta
Ferve, queima, arde
Pois até pentelho de buceta
Já virou arte!

E quando fala em música não se cansa
Os olhos fecham, mas te olham
E o punk e o grunge se beijam,
Vão pra cama e ainda gozam!

Ele tem olhos cheios de sede
Tem aguardente no copo
Tem um cigarro na mão
E um coração que sufoca!

Ele tinha uma bela barba
Que cheirava a boemia
Resolveu mudar
Achando que mudaria

E todo dia tenta me desvendar
E eu tento descobri-lo
Por detrás daquele homem
Eu bem sei... Tem um bicho!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Ssssssio...

Ssssssio...
fale baixinho
meu coração tá bolindo
e eu tô aqui sozinho

Ssssssio...
entre e feche a porta
converse com meu corpo
que jájá a lua volta

E quando ela voltar, meu amor
você já pode ir embora
pois a lua vem pra mim
todo dia vem pra mim
e você, meu amor
só hoje tá aqui
Ssssssio...

Qualquer coisa 2 (continuação)

As vontades iam se multiplicando...
A moça temia a vontade de voar. Não aquela que te tirava o pé do chão, pois ela fazia questão de amar nas nuvens. Era aquela vontade de ser livre feito um bem-te-vi!
E enquanto essas vontades não mudavam... Ela fazia do momento sua maior vontade! E as vontades iam voando dentro de si... Pelo corpo, cabeça, sonhos... Sonho. Foi aí que ela acordou.

Qualquer coisa 1

Fixamente a moça o mirava... E a cada suspiro sua sobridez esvaía-se. Vieram-lhe lágrimas aos olhos e percorreram um triste caminho até os lábios. O moço, muito bondoso, enchugou-as com o toque de sua boca.
Durante eternos minutos se abraçaram. Ela não podia esquecer o cheiro da sua fantasia real! Ele a apertava pela cintura e a machucava docemente com sua barba. Os suspiros quase silenciosos perturbavam... Mas ninguém dizia nada. Eram lágrimas, beijos, apertos, suspiros, olhos, barba, nuca, mãos, unhas... E aquele qualquer coisa sem sentido, sem nome, sem endereço, sem intenção.

Era vontade de amar! De dar colo, de fazer cafuné..!
Era vontade de sexo! De cheiro, de gosto...

Do gosto do gozo
do gozo maldoso
do gozo no corpo
do gosto do corpo
do corpo gostoso
do amor mentiroso.