É vôvô me entupindo de sorvete
Ou de pastel com caldo-de-cana
Reclama da magreza, das "tosse" do pulmão
Passa o dia mandando eu calçar as alpercatas
Porque num pode ficar com os "pé" no chão!
E eu vou lembrando da minha infância
Lembrando do filhóis que vóvó fazia
E da gemada forte de todo dia!
E me lembro das brincadeiras na calçada
Barra-bandeira, polícia-ladão, queimada
Tinha até verdade ou consequência e tô no poço
Eu, menina, me enganava
Só pra poder dá beijo de boca!
E quando chovia
Eu via o povo levantando a mão pra Maria
Agradecendo pelos pingos que caía
Era festa certa e eu nem sabia quem era Maria
Muito menos de onde vinha aquela água danada que caía
Mas achava lindo aquele monte de gente rindo
Tudo "imbaxo" de chuva como se nunca tivesse visto água
Aparando os pingos pra levar pra casa
E eu pensava que era pra guardar de presente
Pense num povo feliz!
E eu fui uma menina feliz que só aqui...
Ah, Caicó..!
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